USO · MANUTENÇÃO
Quando é hora de trocar meu tênis de treino?
Não existe uma quilometragem universal para trocar o tênis. O momento depende do modelo, do uso, do corredor e do terreno. Em vez de esperar chegar a um número específico, vale observar três coisas: solado, estrutura e sensação durante a corrida.
No solado: procure áreas em que a borracha esteja muito desgastada, com o desenho do piso bastante apagado ou até com a espuma da entressola aparecendo. Desgaste desigual entre os pés também é um sinal importante.
Na estrutura: veja se a entressola apresenta deformações ou vincos muito marcados, se o tênis começa a ficar inclinado quando apoiado em uma superfície plana ou se o contraforte do calcanhar perdeu firmeza. Esses sinais indicam que a estrutura do calçado mudou com o uso.
Na sensação de corrida: atenção se o tênis passou a parecer diferente — por exemplo, se o amortecimento está mais duro, mole ou irregular, se perdeu a resposta que tinha quando novo ou se você percebe desconforto e cansaço muscular que não costumavam aparecer. Estudos mostram que propriedades da entressola podem mudar com o desgaste, embora o corredor nem sempre perceba essas alterações apenas pela sensação.
Em termos práticos: se o solado está muito gasto, a estrutura está deformada ou a sensação de corrida mudou de forma consistente, já vale avaliar a troca. Não é preciso esperar atingir 500, 700 ou 1.000 km: pesquisas mostram que o desgaste pode alterar características do calçado ao longo da utilização, e a durabilidade varia entre modelos e materiais.
Fontes consultadas
- 01PubMed: corredores conseguem perceber mudanças no amortecimento do calcanhar conforme o tênis acumula quilometragem? (abre em nova aba)
Estudo com corredores recreacionais que encontrou redução de 16% a 33% no amortecimento da região do calcanhar após 480 km, mas também mostrou que os participantes não perceberam claramente essa perda mesmo após 640 km. Isso reforça que a sensação, sozinha, não é um indicador perfeito do desgaste.
- 02PubMed: durabilidade de tênis de corrida com entressolas de etileno-acetato de vinila (EVA) ou poliuretano (abre em nova aba)
Avaliou alterações nas propriedades de amortecimento e retorno de energia de diferentes materiais de entressola ao longo de 500 km, mostrando que o comportamento do calçado com o uso varia conforme o material.
- 03PubMed: análise longitudinal das pressões plantares com o desgaste de um tênis de corrida (abre em nova aba)
Acompanhou corredores recreacionais durante uma temporada e observou mudanças no padrão de pressão plantar conforme o tênis acumulava desgaste, reforçando que o uso pode modificar a interação entre o calçado e a corrida.
- 04ASICS: como os tênis de corrida se desgastam ao longo do tempo (abre em nova aba)
Fonte prática que reúne sinais visuais e estruturais de desgaste, como borracha da sola muito consumida, desgaste desigual, entressola com vincos ou deformação e aumento de dores musculares após a corrida.